Sentir-se traído depende muito da concepção individual de cada um acerca do tema. Entretanto, existe um consenso diante do fato de que trair implica em ser desleal e infiel.

Contudo, em uma relação amorosa, para alguns um simples olhar é traição, um beijo é traição, para outros somente a prática sexual.

Em certos casos pode até não haver envolvimento físico, mas apaixonar-se por outra pessoa mesmo que platonicamente já denota uma traição difícil de ser perdoada.

A melhor maneira de manejar os sentimentos frustrantes advindos do fato de ter sido traído é lidar com a situação de maneira clara e sincera.

Para superar é necessário sentir a dor, apropriar-se do sofrimento, conhecer o teor daquilo que está doendo tanto.

Quando alguém é traído e tenta banalizar a situação, buscando artifícios que o impeçam de sentir seu pesar (bebida em excesso, drogas, relacionamentos fugazes e disfuncionais), pode ter a impressão de que está superando, mas na verdade está simplesmente anestesiado e, com certeza, apenas temporariamente menos sofrido.

Uma rede de apoio que seja saudável, familiar ou social pode aliviar o momento difícil, porém, o recomeço real só pode existir depois que o individuo traído lidar, corajosamente, com suas aflições, suas inseguranças e também com o luto em relação às expectativas que nutria a respeito da relação afetiva que foi abalada.

Quando se vive esta etapa de maneira intensa o sujeito vai entender melhor todo o fenômeno psíquico que viveu e assim, conseguirá transcender este primeiro estágio e partirá para uma nova fase.

A nova fase demanda que o indivíduo escolha o que fará com a situação que viveu. Estando abastecido de entendimento acerca de seus sentimentos poderá decidir do que precisa para seguir em frente.

Em alguns casos a pessoa precisa de mais tempo para processar em outros casos menos.

Pode ser que o traído perdoe o traidor e queira continuar o relacionamento, pode ser que perdoe, mas não queira continuar. Pode ser que seja rápido, pode ser que seja devagar.

Cada um tem seu ritmo. Mas uma premissa é básica…

Se fugir da realidade, se apenas se distrair com subterfúgios e não viver a dor que precisa sentir e entender, não haverá a possibilidade de alcance de perdão.

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Ana Luiza Costa
Ana Luiza Costa

Ana Luiza é Psicóloga (CRP 08100/87). Especialista em Sexualidade Humana pela Universidade Federal de São Paulo USP/SP. Terapeuta Sexual, Formada em Terapia de Casal pelo Instituto de Terapia e Centros de Estudos da Família INTERCEF/PR. Mais de 12 anos de experiência clínica no tratamento das principais disfunções sexuais.

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