Nessas últimas 4 semanas, coincidência ou não, recebi mais de um e-mail de homens falando da pressão que sentem por ser homens.

Escrevi isto a eles e resolvi deixar com vocês aqui também.

Falava sobre as pressões e as cobranças de comportamentos feitos sobre os homens e os efeitos de tudo isto.

Resolvi deixar aqui, com vocês, exatamente o que coloquei.

Não é fácil ser homem.

E mais, não é fácil ser homem em uma sociedade que insiste para que homens sejam machos, o Brasil ainda é machista.

O que eu quero falar a vocês com isso:

Se as mulheres são cobradas pela estética, os homens são cobrados pelo desempenho, em qualquer área da vida.

Desde pequeno nós homens ouvimos, “menino não chora”, “não chora que a menina tá te vendo”, “o que vão achar de um menino chorando”?

Padronização do homem

Vamos lá, uma pergunta que você sabe exatamente a resposta. Que brinquedos geralmente meninos ganham ainda na infância?

Carrinho, bola, revolver, espada, bonecos que fisicamente são desenhados indicando força. Tudo que remete a força, a movimento, a agressividade.

E desde cedo nos ensinam a ser fortes e não habilidosos, nem adaptados ao mundo.

Ensinam meninos, futuros homens, a serem rígidos, porque dizem que força é coisa de menino. Sensibilidade, é coisa de menina.

E isto tudo vai refletir em qualquer área da vida. Essa des-educação vai para qualquer área da vida dos homens e culmina sabe onde, quando adulto? Na vida sexual.

Esta cultura falocêntrica, do poder que os homens tem que ter, da força, onde é dito aos homens que o poder precisa vir em primeiro lugar, continua muito presente ainda na nossa sociedade.

A sociedade em que vivemos, diariamente, exerce várias pressões sobre os homens.

Pressão sobre os homens

Se já não bastasse a pressão que colocam sobre a gente no dia a dia, que tem que ser bom profissionalmente, de que tem que ser bem sucedido a nível capital e de bens, de que não basta ser um homem feliz e tem que chegar a ser diretor da empresa, agora cada vez mais percebemos as pressões no sexo.

A mensagem passada socialmente é que homem tem que saber tudo de sexo, tem que ser dominante na hora h, tem que ter mais habilidade que a mulher e ainda não pode nunca falhar, não pode nunca perder a ereção.

Não caiam nesta.

Essa pressão reforça a competitividade, como se a vida fosse um campo de guerra, e reforça inclusive a sensação de que a cama é um campo de batalha.

O que acontece na vida acontece na cama, e se a pressão está na vida, ela vai também para o sexo.

Autocobrança do homem

Esse comportamento de que homem não pode falhar reforça a inveja, faz com que homens olhem para outros homens imaginando que os outros conseguem fazer tudo aquilo ele não consegue fazer.

Digo a você por ver isso todo dia, o que acontece nas várias áreas da vida de um homem, repercute exatamente em cima da cama, onde os homens sentem que precisam mostrar a masculinidade que lhe foi conferida.

Inclusive alguns acham que ser agressivos na cama é ser masculino, acham que a força é o diferencial. Muito engano. Não é a força, é a habilidade que conta.

Ou seja, para muitos no sexo é a hora de mostrar o poder, e os homens sentem-se fracassados, se na intimidade eles não vão bem em relação a força, a rigidez.

Sabe qual é o maior medo da grande maioria dos homens? Perder a ereção na hora de uma transa. Este é um dos maiores fantasmas masculinos dito dentro dos consultórios.

Dentro dos consultórios, porque fora, na roda de amigos, “nenhum homem falha”.

Esta força, a maioria dos homens medem pelo papel masculinizado que desempenham no sexo.

Papel masculinizado no sexo

Para muitos sustentarem o papel de macho, já não basta deixar o pênis rígido por opção, por desejo, quando se tem vontade. Para muitos deixar o pênis duro, é uma obrigação.

Esta rigidez e essa força ensinada vai direcionada ao pênis. Agora já não basta mais ter pênis, precisa manter-se sempre duro, grande e rígido.

Ninguém tem que disputar nada com ninguém, nem entre os homens, muito menos junto com as mulheres.

A cama ou qualquer âmbito social deve ser de harmonia e não de busca por desempenho.

Como se, sendo potente no sexo, sem falhar, desse aos homens cartão de entrada ao mundo dos destacados, dos machos.

Homens estão tomando as famosas pílulas para ereção não para reforçar ou levantar o pênis, mas para aliviar a pressão sobre a masculinidade que dizem que ele tem que ter.

Não nos contam que ser homem é ser muito mais tranquilo. Ser homem é muito mais leve que ser macho. Não nos contaram que ser homem facilita inclusive o desempenho na cama.

Ser homem é ser passível de falhas, que aliás perder uma ereção não é uma falha, é uma ocorrência natural e normal na vida de qualquer homem ativo sexualmente.

Ser homem não é somente ser forte, ser homem é ser habilidoso.

Ser homem é benéfico a você e para quem estiver com você.

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Marlon Mattedi
Marlon Mattedi

Psicólogo. CRP 12/03841. Terapeuta Sexual. Pós-graduado em Terapia Sexual pelo Instituto Brasileiro de Sexologia e Medicina Psicossomática de São Paulo (ISEXP/SP) e pela Faculdade de Medicina do ABC-São Paulo/SP. Especialista em Sexualidade pela Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (SBRASH). Especialista em Orientação, Terapia Sexual e de Casal pela Fundação SEXPOL de Madrid-Espanha - Instituto vinculado a Sociedade Européia (FES) e a Associação Mundial para a Saúde Sexual (WAS). Secretário Geral da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (SBRASH) Gestão 2016-2017 e co-fundador do Portal Sexosemduvida.com.

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