Até muito recentemente, o modo como as mulheres experimentavam e sentiam sua sexualidade era pouco explorada. Com o avanço da ciência, dos movimentos igualitários e da comunicação este cenário vem mudando. Infelizmente, muitas mulheres ainda sofrem e se cobram por não conseguir chegar ao orgasmo.

Esta dificuldade afeta cerca de 30% das mulheres brasileiras, de todas as idades. Algumas nunca chegaram lá; outras tem dúvidas sobre o que realmente sentiram. De forma geral, a maior parte das mulheres ainda se sente insegura sobre o próprio prazer, o que leva a problemas na auto-estima e nos relacionamentos.

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Veja abaixo as 10 principais barreiras que podem estar te impedindo de “chegar lá”:

1) Acreditar que sexo é natural

O instinto de reprodução é natural, inato, mas a capacidade de fazer sexo e fazê-lo bem é aprendida. Assim, não nascemos sabendo fazer sexo, muito menos sabendo como chegar ao orgasmo.

O orgasmo é um comportamento aprendido e que pode ser treinado.

2) Homens não sabem tudo sobre sexo

Muitas mulheres ainda acreditam que os homens sabem tudo sobre sexo e que eles devem conduzir e proporcionar o orgasmo.

Esta crença leva a idéias errôneas sobre o papel de cada um na relação e gera angústia tanto nos homens quanto nas mulheres.

Afinal, os homens também precisam aprender e podem conhecer mais sobre o próprio corpo, o que não significa que conheçam o corpo de suas parceiras nem a melhor forma de estimulá-las.

3) Valores repressores

São as crenças que impedem a mulher de sentir que merece ter prazer e de assumir a responsabilidade por ele.

A mulher pode acreditar, por exemplo, que “não é bonito demonstrar prazer”, ou que “a vagina é feia e suja”, que “mulher velha não pode ser assanhada desta forma” ou ainda que “mulher não tem orgasmo mesmo”.

Com estas idéias desestimulantes e limitadoras fica muito difícil aprender, treinar e chegar lá.

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4) Aprendizados errôneos

Muitas mulheres não conhecem o próprio corpo, nem na teoria nem na prática. E se você não conhece, não pode fazer funcionar da melhor maneira.

É importante conhecer sua região genital, as alterações que ocorrem durante o sexo, as reações de prazer, os pontos erógenos do próprio corpo; bem como suas fantasias e formas de se excitar.

5) Não se masturbar

Nesta parte do aprendizado, a masturbação é a prática. É se tocando e experimentando as reações do corpo que a mulher vai aprendendo o tipo de toque que prefere, com que intensidade, velocidade, a melhor posição para o orgasmo. A masturbação é uma prática saudável e fundamental para se conhecer e praticar.

6) Sexo maduro é sexo com penetração

Você sabia que o órgão sexual da mulher não é a vagina, mas sim o clitóris? E sabe por quê? Porque se a mulher tivesse extrema sensibilidade na vagina, seria impossível dar à luz.

Portanto, o clitóris está aí para ser estimulado, com ou sem a penetração, com a única exclusiva função de dar orgasmo à mulher.

A penetração é uma das formas de fazer sexo, e nem sempre é a melhor maneira de chegar ao orgasmo. Não existe isso de sexo maduro: existe sexo com mais ou menos prazer. Estimule o Clitóris.

Leia também: A forma ideal para estimular o clitóris

7) Temores

Os medos são grandes impeditivos do orgasmo. Quando a mulher tem medo, ela não relaxa e não se entrega ao prazer.

Os medos mais comuns são de não atingir o orgasmo, de não agradar ao parceiro, de não conseguir fazer nada direito, de doer, de engravidar, de pegar uma doença e de não sentir prazer.

Com toda essa ansiedade e preocupação ela não consegue entrar no clima erótico, e fica impossível chegar ao orgasmo.

8) Bloqueios e traumas

É alto o índice de mulheres que viveram alguma experiência traumática na área sexual na infância, adolescência ou vida adulta e velhice.

Abusos ou estupro, intimidação sexual, sexo sem consentimento. Estima-se que entre 35% e 50% das mulheres brasileiras já experimentaram algum tipo de violência sexual.

Estas experiências podem deixar sensações incômodas e despertar medo. O modo como cada mulher será afetada varia, mas afeta a vida como um todo, os relacionamentos e a vida sexual.

É fundamental buscar ajuda psicológica nestes casos.

9) Problemas orgânicos

Distúrbios hormonais, alergias na área genital, infecções vaginais, doenças sexualmente transmissíveis ou qualquer outra condição orgânica pode gerar dor ou incômodo na hora do sexo.

Com dor, ardência, coceira ou outro sintoma a mulher não consegue se excitar, o que impede também de chegar ao orgasmo.

10) A obrigação de gozar

O orgasmo é uma possibilidade de prazer que deve ser concedida a todas as mulheres. A mulher tem o direito de exercer sua vida sexual e desfrutá-la de forma plena.

Quando os acessos à informação de qualidade e à a ajuda são negados, nega-se também o direito à saúde sexual.

O orgasmo é uma conquista da mulher empoderada e livre, mas não é uma obrigação.

Obrigação não combina com liberdade, nem com prazer. A mulher não deve se cobrar ao extremo, nem procurar atingir o orgasmo “para o parceiro”.

Deve ser antes uma conquista sobre o próprio corpo e sua capacidade de se amar, se conhecer e se colocar no mundo.

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Gabriela Pavani Daltro
Gabriela Pavani Daltro

Psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). CRP 06/86668. Extensão em Psicogerontologia (Terceira Idade) pela PUC-SP. Especialista em Sexualidade Humana pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo(FMUSP). Terapeuta de Casal pelo Ciclo-Ceap SP. Especializanda em Neuropsicologia clínica pela USP-SP. Extensão em "Desfechos Negativos Associados ao Comportamento Sexual (Compulsão sexual, ISTs/AIDS, violência sexual) pelo Ambulatório de Impulso Sexual Excessivo do HC-FM-USP. Capacitação em Intimidade e Sexualidade do Casal pelo Relational Life Institute - Estados Unidos. Autora dos Livros Digitais: Prazer na Intimidade - Guia para Mulheres e Como ter Orgasmos Sempre. Membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana - SBRASH.

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