O ressecamento vaginal é um sintoma extremamente incômodo que afeta milhares de mulheres de todas as idades.

Ele prejudica intensamente a vida sexual, a autoestima e a relação de muitos casais. ¹

Normalmente, a secura vaginal é o resultado de um conjunto de alterações hormonais, psicológicas, medicamentos, entre outras. ²

O tratamento para o ressecamento vaginal deve sempre ser individualizado e focado na causa deste problema.

Este tratamento pode variar desde psicoterapia com terapia sexual, cremes locais e até aplicações de laser vaginal.

No artigo de hoje, vamos focar nas principais causas do ressecamento vaginal e como tratá-las.

Leia também:

O que é o ressecamento vaginal?

O ressecamento vaginal é a perda de lubrificação vaginal natural que as mulheres apresentam durante a relação sexual.

Isso pode causar diversas consequências para as mulheres, como:

Antigamente acreditava-se que, após a menopausa, a secura vaginal era algo esperado e que não havia tratamento.

No entanto, isso não é verdade.

Qualquer tipo de secura vaginal que incomode a mulher, independente da idade, deve ser investigado e tratado.

O que pode causar o ressecamento vaginal?

A causa mais comum de vagina ressecada é a queda hormonal, que surge após a menopausa. ³

Porém, a secura vaginal pode acometer mulheres de todas as idades.

Neste caso, existem diversas causas que precisam ser investigadas e tratadas adequadamente.

Para te ajudar a entender mais sobre as principais causas de vagina ressecada, separamos uma lista com as principais causas: 4

  • Queda hormonal
  • Falta de estimulação
  • Dificuldades e crises no relacionamento
  • Estresse
  • Medos
  • Ansiedade
  • Alergias
  • Medicamentos
  • Infecções
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Queda Hormonal

Ao falar de causas físicas, a diminuição da quantidade de estrogênio no organismo é uma das principais causas do ressecamento vaginal.

Este hormônio é responsável por manter a lubrificação na mucosa da vagina.

Esta queda hormonal é a responsável por afinar o revestimento interno da vagina, deixar a vagina menos elástica e mais seca.

A principal causa de alterações hormonais ocorre após a menopausa.

No entanto, esta também pode ocorrer no pós-parto, na amamentação ou quando se utiliza medicamentos anti-estrogênicos (Um anti-estrogênico é uma substância que bloqueia a produção ou utilização de estrogênios ou inibe seus efeitos).

Neste caso a consulta com uma ginecologista é a melhor opção, ela irá examinar, avaliar os níveis hormonais e iniciar a reposição hormonal, se necessária.

Falta de estimulação (Preliminares)

Muitas vezes, a pressa para se iniciar a relação sexual com penetração é a principal vilã dessa história.

Muitos casais acabam se precipitando e logo após a ereção, já querem iniciar a relação sexual.

No entanto, as preliminares são muito importantes. Elas que irão aumentar a excitação, libido e a lubrificação vaginal.

As preliminares tem que consistir no conjunto de fatores (carícias, beijos, toques, cheiros, sons, falas) e não somente da estimulação direta da genitália.

A recomendação para esse tipo de ressecamento vaginal é aumentar o tempo e a qualidade das preliminares.

Isso irá aumentar a excitação do casal e, consequentemente, a lubrificação vaginal.

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Dificuldades e crises no relacionamento

Crises entre o casal, ou entre os envolvidos nessa relação, afetam diretamente a qualidade da excitação para o sexo e, consequentemente, a qualidade da lubrificação.

É difícil ter uma lubrificação de qualidade se o relacionamento estiver passando por crises. 

Estresse

Estresse, tripla jornada, sobrecarga de trabalho e preocupações em geral tendem a tirar a qualidade do sexo também para a mulher. 

Portanto, sob fortes cargas de estresse, sobrecarga física ou emocional, cansaço, é difícil para a mulher estar preparada para vivenciar o sexo. Isso afetará diretamente a lubrificação. 

Medos

Medos com relação ao sexo, ou medos em geral, podem dificultar e até impedir para que a lubrificação aconteça. 

Situações de violência sexual no passado, por exemplo, geram medos, fobias em relação ao ato sexual. Estes medos impedem praticamente na totalidade a lubrificação, porque o organismo da mulher não estando relaxado com a situação não permitirá que a lubrificação ocorra. 

Ansiedade

A ansiedade é um sentimento bastante frequente durante quase todas as fases da vida.

Porém, alguns graus de ansiedade podem se manifestar com ressecamento vaginal, diminuição da libido e dificuldade para atingir o orgasmo (Anorgasmia).

O acompanhamento médico e psicológico é fundamental para o tratamento da ansiedade e de suas consequências.

Alergias

Os produtos usados durante o banho, principalmente na região íntima, podem ter substâncias que causam irritação e ressecamento local.

Essas alergias são vilãs do dia a dia da saúde feminina e são mais recorrentes do que muitas imaginam.

Elas podem se manifestar pelo uso de sabonetes íntimos, cremes, loções e até tipos de calcinha (que não sejam de algodão).

É importante lembrar que, caso a alergia tenha iniciado devido à utilização de um novo produto, o melhor é suspender o uso e observar os sintomas.

Medicamentos

Alguns remédios podem agir direta ou indiretamente na lubrificação vaginal, ocasionando um ressecamento vaginal.

São alguns exemplos:

  • Antidepressivos
  • Anticoncepcionais orais
  • Anti-hipertensivos
  • Anti-histamínicos
  • Medicamentos para queda de cabelo

Se esse for o seu caso, é sempre necessário consultar seu médico para avaliar, se possível, a troca do medicamento.

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Infecções

Quase todas as mulheres vão apresentar algum tipo de infecção genital durante a vida.

Vaginoses, candidíases, dentre outros tipos de infecção podem se desenvolver.

Alguns tipos de infecção podem causar coceira na pele, dor durante a relação sexual, corrimentos e até secura vaginal.

O acompanhamento ginecológico de rotina identifica e trata estes tipos de infecção.

Como tratar o ressecamento vaginal?

O melhor caminho para acabar com o ressecamento vaginal é identificar corretamente a sua causa e realizar o tratamento específico.

De modo geral, o uso de lubrificantes e hidratantes íntimos tende a aliviar os desconfortos e sintomas, porém sem tratar a causa.

Falamos brevemente acima sobre diversas causas e tratamentos da secura vaginal. 5

Vou colocar um breve resumo aqui:

  • Falta de estimulação: Intensificar as Preliminares
  • Crises no relacionamento: Solucionar estas crises
  • Estresse: Reorganizar a vida para diminuir estas cargas
  • Medos: Tratamento psicológico/psiquiátrico
  • Ansiedade: Tratamento psicológico/psiquiátrico
  • Alergias: Identificar agente causador e alterar
  • Medicamentos: Identificar remédio e trocar
  • Infecções: Tratamento específico com ginecologista

No entanto, é importante lembrar que o ginecologista irá investigar as causas físicas e realizar o tratamento específico para cada mulher.

O psicólogo especialista em sexualidade, durante a terapia sexual, irá investigar e tratar as causas psicológicas, emocionais e sexuais.

No caso de quedas ou alterações hormonais, existem alguns tipos de tratamentos hormonais:

  • Comprimidos de estrogênio (reposição hormonal)
  • Cremes vaginais
  • Laser vaginal

Comprimidos de estrogênio (reposição hormonal)

A reposição hormonal na pós menopausa tem a finalidade de aumentar a quantidade hormonal no corpo, diminuída após a parada da menstruação.

Ela agirá em diversos setores do corpo, atuando no controle das ondas de calor, na saúde óssea e também na região íntima, aumentando a lubrificação e aliviando a secura vaginal.

Por mais que a reposição hormonal tenha bons resultados, seu uso pode ser contraindicado em algumas mulheres.

Por conta desses fatores, os comprimidos devem ser usados apenas com a orientação da ginecologista.

Cremes de ressecamento vaginal

Os cremes para o ressecamento vaginal normalmente são a primeira opção de tratamento. Existem dois tipos:

  • Cremes com dose baixa de estradiol. São aplicados no canal vaginal e estimulam a lubrificação natural, por isso, são mais eficazes que hidratantes sem hormônio
  • Cremes hidratantes vaginais. Criam uma camada fina de lubrificante que protege a flora vaginal, mantendo por horas ou dias, aliviando os sintomas sem usar hormônio ou efeitos colaterais;

Laser vaginal

O laser vaginal é uma terapia não invasiva que oferece a emissão de pulsos Erbium ou CO2, capazes de gerar uma mudança de temperatura na região vaginal.

Em consequência disso, um aumento na vascularização acontece, ajudando na formação de novas fibras conjuntivas, melhorando a elasticidade e lubrificação da região.

Conclusão

No artigo de hoje, pudemos entender o que é ressecamento vaginal, suas causas, sintomas e possíveis tratamentos.

É importante lembrar que a saúde íntima da mulher é fundamental para um relacionamento saudável.

Se você gostou desse artigo, curta e compartilhe.

Ficou com alguma dúvida? Comenta aqui embaixo, vamos adorar responder. Até a próxima.

Fontes:

  1. Santoro N, Komi J. Prevalence and impact of vaginal symptoms among postmenopausal women. J Sex Med 2009;6:2133-42
  2. Levine KB, Williams RE, Hartmann KE. Vulvovaginal atrophy is strongly associated with female sexual dysfunction among sexually active postmenopausal women. Menopause 2008;15(4 Pt 1),661–66
  3. Dos Santos CCM, Uggioni MLR, Colonetti T, Colonetti L, Grande AJ, Da Rosa MI. Hyaluronic Acid in Postmenopause Vaginal Atrophy: A Systematic Review. J Sex Med. 2021 Jan;18(1):156-166. doi: 10.1016/j.jsxm.2020.10.016. Epub 2020 Dec 5. PMID: 33293236.
  4. Goldstein I, Dicks B, Kim NN, Hartzell R. Multidisciplinary overview of vaginal atrophy and associated genitourinary symptoms in postmenopausal women. Sex Med. 2013 Dec;1(2):44-53. doi: 10.1002/sm2.17. PMID: 25356287; PMCID: PMC4184497.
  5. Lee A, Kim TH, Lee HH, Kim YS, Enkhbold T, Lee B, Park YJ, Song K. Therapeutic Approaches to Atrophic Vaginitis in Postmenopausal Women: A Systematic Review with a Network Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. J Menopausal Med. 2018 Apr;24(1):1-10. doi: 10.6118/jmm.2018.24.1.1. Epub 2018 Apr 30. PMID: 29765921; PMCID: PMC5949302.

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Dra. Camila Bonacordi

Médica ginecologista com 6 anos de experiência. Especialização em Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva e Endometriose pelo Hospital Pérola Byington: 2019 - 2020. Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP): 2016 - 2019. Médica formada pela Faculdade de Medicina do ABC: 2010 - 2015.

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