“Tira a mão daí menina”. “Fecha as pernas, é feio se sentar assim”. “É pecado, só depois do casamento”. O que afinal a mulher tem entre as pernas?

Ao longo da história a sexualidade feminina tem sido sempre cercada de muitos mitos e tabus. Dentre estes seguem os mistérios da vagina.

Aqui neste texto vou então esclarecer sobre os órgãos sexuais femininos, te ajudar a entender sobre a vagina, a mulher e seus desejos.

Mas para que falar em vagina?

Porque é sim importante a mulher conhecer seu corpo, se tocar e assim conhecer sua vulva e vagina, tanto para uma boa higiene quanto para o aumento da libido e o prazer sexual.

Conhecer melhor a sua vagina aumentará sua autoconfiança.

É preciso ter intimidade com a própria vagina, pois a falta de conhecimento sobre seus próprios órgãos genitais te traz como consequência falta de autoconhecimento e falta de prazer sexual.

Por exemplo, não é na vagina que está localizado o órgão de prazer sexual da mulher. O clitóris se localiza na vulva.

Uma das razões de muitas mulheres não terem prazer sexual é desconhecer seu corpo.

Curiosidade…

Você sabia que a vagina é um músculo?

Isso mesmo, a vagina sendo um músculo é o que dá a ela a capacidade de aumentar e diminuir, caber um absorvente íntimo, um pênis e até passar um bebê.

Durante a sua leitura você descobrirá várias curiosidades sobre a vagina, a vulva, o clitóris.

Vem comigo!

Leia também:

Anatomia Genital Feminina

É importante a mulher ter pleno conhecimento de seu corpo. Cuidamos da pele do rosto, das coxas e bumbum, das mãos e pescoço e por que não de nosso órgão genital?

Assim, para desfrutar a nossa sexualidade precisamos conhecer os aspectos físicos de nossos genitais.

Você verá aqui os órgãos genitais femininos internos e externos de uma forma geral – o que é, onde fica e para que serve.

Você sabe dar nome às estruturas que compõem o seu sistema reprodutor (órgãos sexuais)?

Vamos lá! O aparelho genital feminino é composto por órgãos genitais internos e externos. Veja:

Aparelho genital feminino

Os órgãos externos são:

Vulva: é o órgão externo da genitália feminina. É formada pelo monte de vênus, o clitóris, os pequenos e grandes lábios.

Pelos pubianos: a maior parte dos pelos, que recobrem o osso pubiano, é chamado de Monte de Vênus.

Clitóris: órgão pequeno e arredondado que fica acima da entrada da uretra. Você o localizará ao abrir os lábios da vulva, logo em cima e na frente.

É muito sensível. É responsável pelo prazer da mulher. Como é o órgão que tem como única finalidade o prazer, falarei mais sobre ele abaixo.

Grandes Lábios: Camada de pele mais externa da vulva, que se sobrepõe aos pequenos lábios. Iniciam no monte de vênus e terminam no períneo.

São recobertos de pelos. Na velhice pode acontecer a diminuição do tamanho dos grandes lábios.

Pequenos Lábios: são duas pequenas e finas abas, temos de afastar os grandes lábios para visualizá-los. Sem pelos.

Na excitação sexual eles incham e se tornam mais sensíveis. É onde se localizam as Glândulas de Bartholin, que são as responsáveis pela liberação do fluído que facilita a lubrificação e auxilia na penetração.

Na parte superior formam o prepúcio do clitóris (como uma capa protetora).

Olá! Eu sou o Dr. Bot, um assistente virtual e estou aqui para ajudar a esclarecer suas principais dúvidas!

De maneira anônima, converse com nosso robô que já ajudou milhares de pessoas a melhorar o sexo.

Qual das opções quer saber mais?

Curiosidade…

Você sabia que as mulheres também têm ereções? Isso mesmo, o clitóris fica “duro”, como o pênis, quando excitado.

Os órgãos internos são:

Vagina: Canal que liga a vulva ao útero. Local por onde o pênis penetra na hora da relação sexual, por onde sai a menstruação e por onde sai o bebê no parto normal.

Veja, a urina NÃO sai da vagina, e sim do orifício abaixo do clitóris e acima da entrada vaginal, a uretra.

Também falarei mais sobre a vagina ao longo do texto.

Útero: É localizado na região inferior do ventre (pelve). Sua função é acolher o feto na gravidez. O Colo do útero é a parte mais estreita do útero.

Na sua abertura estreita é por onde passam o fluído menstrual e os espermatozoides e, devido a sua elasticidade, o bebê durante o parto.

Trompas de Falópio: São duas tubas, em posições opostas, por onde os óvulos passam. É o local onde ocorre a fecundação do óvulo pelo espermatozoide.

O zigoto então formado percorre o interior da trompa e se aloja no útero, para o desenvolvimento do futuro embrião.

Quando a fecundação não acontece, o óvulo é eliminado na menstruação.

Ovários: Locais onde armazenam e desenvolvem os óvulos (célula reprodutora feminina). Os ovários são os responsáveis pela produção dos hormônios femininos – estrógeno e progesterona.

Órgãos internos e externos

Curiosidade…

Você sabia que tamanho não é documento?

Isso mesmo, o tamanho do pênis não interfere no prazer sexual feminino. O início do canal vaginal é o mais rico em terminações nervosas, portanto, é no início da vagina que está a maior sensação de prazer, e não no fundo. Na vulva, que pode ser explorada, é que está localizado o clitóris, órgão exclusivo para o prazer sexual.

Diferença entre Vagina e Vulva

Diferença entre vagina e vulva

Agora você já sabe que Vagina e Vulva não são sinônimos, certo?! Estão próximas, começam com a letra V, mas são diferentes.

Relembrando:

  • a Vulva é o órgão externo da genitália feminina
  • a Vagina é um dos componentes do órgão interno da genitália feminina. É o canal que liga a vulva ao colo do útero.

Será que a minha vulva é normal?

É importante lembrar que existem diferentes aparências, ou seja, há diversidade quando falamos em genitais.

Logo, não existe um único modelo de vulva, mas sim vários. Observe a imagem abaixo e repare que há diferenças entre as mulheres.

Todas são normais.

Tipos de vagina
Crédito: Jamie McCartney/Reprodução. Revista. Estética da vagina. The Great Wall of Vagina. 2017.

Conheça melhor a Vagina

Grande parte das mulheres não tem intimidade com o próprio corpo. Isto é um dificultador do prazer sexual. Muitas mulheres inclusive não vão ao(à) ginecologista para não se sentirem constrangidas.

A sua saúde física e sexual precisa também de exames clínicos. Por isso a busca pelo(a) ginecologista é fundamental para a saúde da mulher.

Vamos conhecer um pouco mais…

Conhecendo a vagina

A Vagina é um canal que mede aproximadamente 10 cm de comprimento.

É a comunicação da vulva com o colo do útero. É um tubo estreito, que tem capacidade de aumentar e diminuir de tamanho.

Por isso consegue receber o pênis numa penetração e também se abre no parto normal, voltando ao seu estado normal depois.

Os dois primeiros terços da vagina são muito enervados, o que deixa a região sensível e proporciona muito prazer para a mulher.

A elasticidade do canal vaginal permite a penetração de um pênis de qualquer tamanho e espessura.

Por exemplo, no ato sexual o canal vaginal cresce até três vezes mais.

A entrada da vagina é a abertura alongada por onde saem o sangue da menstruação, e o bebê (no parto normal).

É por onde ocorre também a penetração, na relação sexual. Essa entrada é recoberta por uma membrana chamada Hímen, que geralmente é rompida na primeira relação sexual.

A chamada virgindade, do ponto de vista físico, é a preservação desse hímen intacto. Mas sabemos que a virgindade vai para além desta membrana. Tem todo um significado cultural.

Toda mulher tem hímen

Curiosidade…

Você sabia que nem toda mulher tem hímen?

Isso mesmo, nem toda mulher tem hímen e nem todo hímen é igual. Uns rompem mais facilmente que outros.

O que a vagina NÃO é!

A vagina não é um recipiente passivo, receptor do órgão masculino, o pênis. Pois, penetrar não é tudo numa relação sexual.

  • A Vagina não é um pênis que não deu certo.
  • A Vagina não é um pênis feminino.
  • A Vagina não é a Vulva
  • A Vagina não é a Mulher. Existe uma pessoa junto desta vagina.

Já se olhou com o espelhinho?

Você tem de conhecer, de se tocar, de olhar, de saber onde ficam sua vulva, vagina e clitóris. É importante ter intimidade com o próprio corpo.

Então eu te pergunto, você já se olhou com o espelhinho?

Ao olhar é isto o que você verá:

Anatomia da Vagina e Vulva

O Clitóris

O clitóris corresponde ao pênis no homem. É o principal órgão do prazer sexual feminino. Ele existe apenas para dar prazer à mulher.

Bem como o pênis, o clitóris também é erétil, ele incha em diferentes fases da resposta sexual. Logo, quando a mulher está excitada o clitóris endurece, bem como o pênis.

O clitóris tem 8 mil terminações nervosas e está dentro de um capuz. É o dobro de terminações nervosas do pênis. Assim, contrariando Freud, não temos porque ter inveja do pênis.

Tenha cuidado com o clitóris

Tenha cuidado e carinho, pois quando o exposto o clitóris pode doer, incomodar e machucar. Você tem de saber se tocar e ensinar como gosta de ser tocada.

Todo o seu corpo é erotizado, sendo o clitóris um ponto importante. Junto da sua fantasia (imaginação e desejos sexuais) e da massagem direta no clitóris você pode atingir o prazer sexual.

Quer aprender a estimular o seu clitóris? Leia este artigo.

Curiosidade…

Você sabia que o clitóris não é apenas aquela ponta na vulva?

Isso mesmo, o clitóris possui cerca de 12 centímetros. O que vemos é apenas a ponta dele.

Veja a imagem:

Estrutura física do clitóris

O clitóris tem esta parte interna que se parecem com duas pernas, que percorrem o interior da vagina e se ligam no assoalho pélvico.

Os cheiros da vagina

Sim, a vagina tem cheiros. A secreção vaginal tem seu cheiro, bem como todas as secreções do corpo da mulher e também do homem.

Cuidado com as promessas de uma vagina limpinha e cheirosa: sabonete íntimo, desodorante vaginal, gel perfumado, lenço umedecido, protetor diário de calcinha, perfumes, talcos…

Não é necessário uso de sabonetes íntimos para retirar o seu cheiro! É uma característica sua e da sua região genital.

Saiba que o cheiro é levemente ácido, de acordo com o Ph da região. E, muda de acordo com o seu ciclo menstrual e muda com a alimentação.

Cheiros da vagina

Cuidado ao mascarar os cheiros da sua vagina. Eles podem te ajudar a identificar quando algo não vai bem, infecções por exemplo. Mudanças de odor podem ser sinal de infecção.

Higienização

O excesso de limpeza e produtos pode na verdade causar infecções vaginais. A lavagem constante com produtos que são adstringentes retira todas as bactérias da flora vaginal, que é o que promove o equilíbrio saudável contra infecções.

Você pode higienizar a vulva com água e sabonete neutro. Nada mais. Se houver alguma substância esbranquiçada (o esmegma) ou de menstruação na região entre os pequenos e grandes lábios retire com os dedos mesmo. Esta higiene é necessária diariamente.

Já a vagina é “autolimpante”. Ou seja, a própria secreção vaginal a mantém limpa e saudável. A ducha interna é contraindicada.

Curiosidade…

Você sabia que corrimento nem sempre é falta de higiene?

Isso mesmo, toda vagina libera muco (corrimento). As alterações no cheiro e na tonalidade é que dirão se realmente é infecção ou falta de higiene.

Dicas importantes para a saúde da sua vagina!

  1. Durma sem calcinha.
  2. Evite protetores diários.
  3. Cuidado com excesso de limpeza.
  4. Evite peças íntimas muito justas
  5. No dia a dia prefira as roupas íntimas de algodão. Como a região é naturalmente úmida e abafada, o algodão evita o acúmulo de suor.

Resumindo, deixe a sua vagina respirar!

Procedimentos cirúrgicos estéticos

A cirurgia íntima vem ganhando cada dia mais adeptas, de forma a modificar esteticamente a aparência da vulva.

Tal procedimento pode sim mudar a sensibilidade no local, como qualquer cirurgia estética, e trazer consequências para a sua vida sexual.

Procedimentos cirúrgicos estéticos

A beleza é mais importante que o prazer?

E o que seria uma vulva bela?

Hoje (2017) o Brasil é recordista mundial de cirurgias íntimas, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica – Isaps.

Sim, existe a cirurgia (ninfoplastia/labioplastia) para mexer no tamanho dos lábios, que dependendo da anatomia pode causar dores ou desconfortos.

Mas veja que para fazê-la é preciso ter indicação médica. E o que tem acontecido são milhares de cirurgias estéticas e não funcionais.

Há também a busca estética por um padrão de juventude, através de peelings e laser, pelo rejuvenescimento íntimo.

Bem como a vulva completamente depilada. Isso são indicativos de rejeição aos sinais de envelhecimento. Todo o nosso corpo envelhece. Com a região genital não seria diferente.

Então, o que as mulheres têm buscado? Um padrão de beleza, um aspecto visual liso e rosado. E como fica a diversidade? Se nossos corpos são diferentes, com os órgãos genitais acontece o mesmo.

Diversidade

Quando a autoconfiança começa a passar pela aparência da vulva o cenário é preocupante. É invasivo. Você pode sim perder parte da sensibilidade na região.

Já que mexe nos pequenos lábios, região cheia de nervos, sensível e cuja função é também a de proteger a vagina de infecções.

Meninas tem feito a cirurgia antes mesmo de iniciar a vida sexual, num momento em que o corpo ainda está em formação.

Não, eu não estou dizendo que não deve se depilar, nem que não deve cuidar da região íntima. Mas, esta forma de chegar a uma beleza idealizada na verdade acaba com a autoestima e autoconfiança da mulher.

Se você está insegura ou tem dúvidas quanto aos seus órgãos genitais, procure um(a) especialista em sexualidade humana antes de realizar qualquer procedimento invasivo.

Assim, você poderá se conhecer melhor e trabalhar a sua autoconfiança em prol de uma vida sexual saudável.

Sobre a mutilação genital feminina

Mutilação genital feminina na ONU

A Mutilação Genital Feminina (MGF) é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como todos os procedimentos que implicam a remoção parcial ou total da genitália feminina externa, ou quaisquer outras lesões aos órgãos genitais femininos, por razões não médicas.

Além de ser uma prática que vem sendo erroneamente justificada por questões religiosas e de ritos culturais, a MGF visa a redução do desejo sexual feminino e assim garantir que a virgindade seja mantida, um pré-requisito para o casamento.

É sim uma violência de gênero, de saúde e de direitos humanos.

A ONU classifica como mutilação genital:

I – Clitoridectomia: remoção parcial ou total do clitóris

II – Excisão: remoção parcial ou total do clitóris e dos pequenos lábios, com ou sem excisão dos grandes lábios

III – Infibulação: estreitamento do canal vagina, com ou sem a retirada do clitóris.

IV – Outros: quaisquer outros procedimentos na genitália feminina por razões não médicas. Por exemplo: picada, perfuração, corte, escarificação e cauterização.

Todas caracterizam violações de Direitos Humanos. São práticas muitas vezes feitas sem o mínimo de higiene, causando, inclusive, a morte da mulher.

Se você quiser aprender mais sobre a MGF acesse o site da UEFGM – Unidos para Acabar com a MGF.

Lá você encontrará um curso gratuito (e-learning) sobre o tema MGF, nos diversos âmbitos (saúde, educação, políticas públicas, direitos humanos, comunicação…)

Neste caso, a psicologia da sexualidade tem por objetivo auxiliar nos problemas psicológicos e sexuais decorrentes da MGF, como depressão, stress pós traumático, ansiedades, dificuldades sexuais como, por exemplo, dor sexual, baixo desejo, dificuldades em se relacionar com o próprio corpo.

Deixo aqui algumas sugestões para você:

E-book: Como provocar orgasmos femininos – Marlon Mattedi

Como Provocar Orgasmos Femininos

Uma ótima referência sobre o prazer sexual feminino. Nele você terá uma grande aula sobre vagina, vulva, clitóris, relacionamento e envolvimento sexual.

Documentário GNT Clitóris, o prazer proibido

Livro: Descobrindo o prazer – Julia Heiman e Joseph LoPiccolo

Livro Descobrindo o Prazer

A proposta deste livro é descobrir-se! Ele te ajudará a conhecer a si mesma, olhar para si mesma, descobrir-se pelo toque e a tocar-se por prazer.

Esse autoconhecimento e o dar-se prazer será muito importante no seu treinamento íntimo. Você precisará estar conectada com seu corpo e suas emoções para ter qualidade na vida sexual.

Filme: Monólogos da vagina – Eve Enseler (2002)

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Carolina Freitas
Carolina Freitas

Psicóloga, CRP 09/8329 (Inscrição anterior CRP 01 de 13/03/1998 a 05/12/2012). Psicopedagoga, Sexóloga, Mestre em Psicologia pela Universidade Católica de Brasília, Especialista em Educação Sexual. Terapeuta Sexual pelo Centro de Sexologia de Brasília CESEX, Delegada Estadual - Goiás biênio 2018/2019 da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana SBRASH, Idealizadora e coordenadora o Programa Florescer - Gênero e Sexualidade.

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