O que é dispareunia?

Dispareunia é o termo médico usado para descrever a dor persistente ou recorrente no genital que pode acontecer antes, durante ou depois da relação sexual.

Dor no genital relacionada à relação sexual pode ocorrer em diferentes épocas da vida e por diferentes motivos. As razões podem ser de causas físicas ou psicológicas.

Esta dor afeta mais as mulheres do que os homens, e sua intensidade pode ser leve ou intensa.

Nos Estados Unidos esta dor afeta até 20% das mulheres. Já no Brasil, este número chega a 23% das mulheres.

Sintomas da dispareunia

Os sintomas da dispareunia frequentemente são:

  • Dor na vagina ou vulva durante ou após o sexo com penetração
  • Dor ao penetrar (ou tentar penetrar) o dedo ou qualquer objeto na vagina
  • Dor em profundidade na pelve durante a penetração
  • Sentir dor duradoura após o sexo com penetração sem dor

Esta dor pode ocorrer na vagina, uretra ou bexiga, e pode acontecer também somente com algum parceiro específico, ou em determinadas circunstâncias.

Além disso, a dor pode ocorrer apenas na entrada da vagina ou em profundidade. Ela pode ser localizada ou abranger toda a região da vulva.

Relatos de queimação, latejamento, ou mesmo a sensação de que algo está cortando a pele, são relatos de mulheres que descrevem a dispareunia.

Quando procurar ajuda médica?

Busque um médico quando sentir dor persistente ou recorrente relacionada a relação sexual com penetração.

Saiba que existe tratamento e os sintomas podem ser diminuídos ou eliminados, e você pode solucionar este problema.

Causas da dispareunia

As causas da dispareunia podem ser físicas ou psicológicas. Dentre as causas físicas, elas podem ser divididas em relação a onde a dor está localizada.

Dor na entrada da vagina

  • Pouca lubrificação: Geralmente devido a falta de preliminares ou a estímulos inadequados. Além disso, a lubrificação pode diminuir também devido a uma queda nos níveis de estrogênio durante a menopausa, após o nascimento de um bebê ou também durante a amamentação.

Alguns medicamentos também afetam o desejo sexual e a excitação e, como consequência, podem diminuir a lubrificação, como por exemplo os antidepressivos, controladores de pressão alta, sedativos, anti-histamínicos e certas pílulas anticoncepcionais.

  • Lesões e cirurgias: Alguma cirurgia na vagina ou devido a algum acidente, circuncisão feminina.
  • Inflamações e infecções: Uma infecção urinária ou na área genital, problemas de pele.
  • Vaginismo: Contrações involuntárias da entrada da vagina podem impedir ou dificultar a penetração, causando dor.
  • Vulvodínia: Dor crônica na vulva que dura no mínimo 3 meses.
  • Problemas congênitos: Quando a mulher nasce com alguma deformação no genital, como por exemplo o hímen imperfurado.

Dor em profundidade

  • Endometriose
  • Doença inflamatória pélvica
  • Prolapso uterino
  • Útero retrovertido
  • Miomas uterinos
  • Cistite
  • Síndrome do intestino irritável
  • Disfunção do assoalho pélvico
  • Adenomiose
  • Hemorróidas
  • Cistos ovarianos
  • Cicatrizes de cirurgia pélvica
  • Tratamentos médicos para o câncer

Causas psicológicas e emocionais

Nossas emoções estão profundamente ligadas ao nosso organismo. Em relação ao sexo, as emoções e fatores psicológicos afetam diretamente todo o ciclo de resposta sexual, podendo influenciar o nosso corpo e causar dor.

​​Inúmeras mulheres que relatam dor durante o sexo estão fisicamente saudáveis mas têm outras interferências psicológicas e emocionais, e estas questões precisam ser tratadas com psicoterapia, mais precisamente com um psicólogo especialista em sexualidade humana.

Alguns fatores psicológicos e emocionais que podem causar dor na relação sexual são:

  • Ansiedade
  • Depressão
  • Preocupação com a aparência
  • Problemas no relacionamento
  • Estresse
  • Histórico de abuso sexual
  • Medo, culpa e vergonha em relação ao sexo

Fatores de risco

Segundo a Faculdade Americana de Ginecologia e Obstetrícia, cerca de 75% das mulheres experimentam algum tipo de dor durante a relação sexual em algum momento da vida.

Os fatores de risco da dispareunia crescem se você estiver tomando algum remédio que provoque a diminuição da lubrificação vaginal, se você tem alguma infecção bacteriana ou viral e se você estiver no período pós menopausa.

Diagnóstico da dispareunia

Durante uma consulta médica o diagnóstico da dispareunia pode ser realizado. Busque preferencialmente um profissional com especialização em sexualidade humana.

Não tenha receio de responder as perguntas ao seu médico(a). O profissional fará algumas perguntas como:

  • Quando e onde você sente a dor
  • Com qual parceiro ou em qual posição você sente dor
  • Alguma outra atividade lhe causa esta dor?
  • Existem outras condições que contribuem para que esta dor apareça?
  • Você fez alguma cirurgia? Teve filho recentemente?

O exame pélvico pode ser solicitado para averiguar externamente se existe:

  • Irritação da pele
  • Infecções ou inflamação
  • Má formação anatômica
  • Cicatrizes
  • Endometriose

O profissional poderá tocar com um cotonete algumas regiões da vulva para verificar dores localizadas.

Além disso, poderá ser utilizado um espéculo para o exame interno, este instrumento é também utilizado no exame Papanicolau.

Se você sentir dor durante o exame, você poderá pedir para parar a qualquer momento.

Também poderão ser solicitados exames complementares como o ultrassom pélvico, exames de urina e de cultura para averiguar infecções, testes de alergia.

Investigação das causas psicológicas

É importante também uma avaliação psicológica, que pode ser feita com um(a) psicólogo(a) especialista em sexualidade.

Nesta avaliação serão trabalhados os fatores emocionais associados à causa de dor durante o sexo, como ansiedade, medos, problemas de relacionamento, traumas.

A investigação de causas psicológicas geradoras da dispareunia ocorre quando não há qualquer condição médica que justifique a dor, desde infecções, lesões, endometriose, ou qualquer outra interferência física. 

Eliminada as causas físicas se inicia a abordagem psicológica. Serão abordadas as seguintes questões: 

  • Histórico do sintoma da dispareunia 
  • Desde quando ocorre a dor? (Desde o início da vida sexual ou apareceu depois de um tempo de atividade sexual)
  • A dor iniciou coincidindo com algum evento vivido?
  • Ocorrem em quais situações de sexo (ambiente/horários)? Exemplo: Em qualquer ambiente, ou ambientes específicos.
  • Ocorre com determinadas parcerias ou com todas? 
  • Situação de violência sexual sofrida na vida
  • Conceitos, valores e crenças internalizadas
  • Verifica-se a situação relacional com a pessoa que se relaciona sexualmente
  • Preocupações, stress, ansiedade, medos
  • Fobias relacionadas a sexualidade
  • Ausência de conhecimento da sexualidade
  • Demais informações que possam surgir

Estas perguntas já fornecem bastante informação ao terapeuta para seguir com o tratamento.

Tratamentos para dispareunia

Psicoterapia sexual

A dor durante o sexo pode tanto ser consequência de problemas psicológicos e emocionais, quanto pode ser causa de problemas emocionais. Por isso a importância da terapia com um psicólogo(a) especialista em sexualidade.

A terapia cognitivo-comportamental ajuda a mudar padrões de pensamento, eliminar barreiras emocionais e mudar o aspecto psicológico que pode estar causando a dor durante o sexo.

Medicamentos

Importante também a avaliação de um médico(a) ginecologista para verificar se há necessidade de tratar alguma infecção ou inflamação, necessidade de trocar medicamentos que possam estar prejudicando a lubrificação.

Também, para casos de pós menopausa, pode ser necessária a reposição hormonal.

Lembre-se de sempre questionar seu médico a respeito dos efeitos colaterais de qualquer medicamento que for receitado.

Fisioterapia pélvica

Existem exercícios que auxiliam o relaxamento da musculatura vaginal, como a terapia de dessensibilização.

Estas técnicas podem diminuir a dor e devem ser orientadas por um(a) fisioterapeuta pélvica, ou com especialização em uroginecologia.

Mudanças no dia a dia

Não existe uma prevenção específica para a dispareunia, mas algumas mudanças podem ajudar a aliviar as dores.

  • Use lubrificante a base de água
  • Faça preliminares mais longas para promover maior lubrificação natural
  • Comunique-se abertamente com o parceiro(a)
  • Tente diferentes posições, como por exemplo as que você fica no controle da penetração
  • Aproveite o prazer sem penetração, como a masturbação mútua, beijos em áreas erógenas, entre outras opções
  • Mantenha a higiene íntima em dia

Fontes:

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Redação Sexo Sem Dúvida

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